Resumo da obra: A evolução criadora
de Henri Bergson
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| Evolução criadora |
A evolução criadora (L'évolution créatrice) é uma obra filosófica escrita por Henri Bergson em 1907. Nesta obra Bergson desenvolve a ideia de uma "criação permanente de novidade" pela natureza.
Introdução
A preocupação do autor com este livro é de definir o que ele chamava de Elã Vital, ou seja, o impulso criador da vida. Bergson iniciará sua obra construindo uma crítica tanto ao ponto de vista mecanicista, quanto do ponto de vista finalista acerca da teoria da evolução de Charles Darwin. Para logo depois separar, apenas de modo didático, os conceitos de inteligência e intuição, que para ele são fundamentais para sua teoria. Logo em seguida ele segue essa diferenciação, mas para criticar a teoria do conhecimento. Concluindo no último capítulo com críticas a filósofos como Platão, Aristóteles, Descartes, Spinoza, Leibniz, Kant (Já criticado no capítulo anterior) e Spencer.
Capítulo I
Para entendermos quais as preocupações de Bergson, precisamos antes entender o contexto histórico que ele se encontrava. Havia duas principais correntes filosóficas sobre a teoria da evolução, a mecanicista e a finalista. Na primeira, o ser vivo é tratado igual como o ser morto, nos termos do autor, o orgânico é tratado pela ciência igual como se trata o inorgânico, sendo portanto, a vida algo determinado pelo ambiente onde é moldada pela seleção natural. Na segunda, a vida possui um propósito, sendo assim, previsível e igualmente determinada. Em ambos os casos o problema é a determinação da vida, o que para Bergson é imprevisível.
Começando a crítica ao mecanicismo, a vida é tratada como a matéria, sendo vista como determinada e previsível, o que não é coerente com os casos de evolução. Pois se o ambiente molda a vida, como é possível que o mesmo ambiente faça com que espécies evoluam de modo diferente se adaptando, cada um a seu modo, ao mesmo ambiente? Por exemplo, a Antártida com seu frio extremo fez animais se adaptarem com pêlos ou com gorduras para se aquecerem.
O finalismo é outro modo de pensar igualmente problemático; Se as formas de vida possuem um propósito, a vida é determinada e previsível. Mas do mesmo modo que se diz que a grama existe para a vaca, é tão determinista como dizer que o ambiente em que tinha grama faria obviamente a vaca comer a grama. Ou seja, o finalismo radical é um determinismo ao avesso. Dizer que as coisas existem baseados nas suas funções é colocar a causa como consequência. Dizer que o olho existe para ver, coloca o ato de ver, que é causa do olho, como consequência do olho. Precisamos ver, por isso temos olho.
Dessa forma, Bergson criticará os dois pensamentos, com a ideia da imprevisibilidade da vida, através do elã vital. A vida é imprevisível, sua evolução é imprevisível. Não temos capacidade de saber como a vida evoluí, isso é apenas uma característica da inteligência, que será abordada no próximo capítulo.
Capítulo II
Depois de criticar o determinismo e o finalismo, Bergson focará na inteligência e na intuição. Para o autor, a inteligência cuida da matéria, enquanto a intuição faz parte da vida. A inteligência sempre precisará compreender tudo e para isso ela divide, sistematiza, constrói esquemas, faz associações e tenta prever, este é o erro básico da ciência, ao fazer isso com a matéria, tudo dá certo, porque a matéria é inerte e previsível, mas tentamos fazer o mesmo com a vida, que não se pode prever.
Já a intuição é mais limitada, diferente da inteligência que quer saber de tudo, a intuição já sabe de algo, mas apenas este algo, como o instinto por exemplo. O pinto sabe que precisa quebrar a casa para sobreviver, ninguém o ensinou, ele já sabia. Mas ele só sabia isso e somente isso. Esta é a intuição.
Mas é preciso leva em conta que o auto faz distinções entre inteligência e intuição, mas ambas são complementares uma à outra. Enquanto a inteligência quer saber de tudo, o instinto já sabe de uma parte. Enquanto a inteligência cuida da matéria, o intuito cuida do espírito, da vida.
Capítulo III
Aqui Bergson começa a sua crítica sobre a teoria do conhecimento. Como o homem evoluiu mais para a inteligência, mesmo tendo a intuição e sendo capaz de usá-la, tratamos tudo com a inteligência. Categorizamos, ordenamos, sistematizamos e tentamos prever, mas isso é para a matéria, a vida não é assim. Este é um dos problemas do conhecimento, aprender que a inteligência não dá conta do imprevisível.
O segundo seria utilizar a intuição para aprender, voltarmos para dentro de nós mesmos, suspender o juízo e depois retornar, fazer um movimento negativo. Enquanto a inteligência categoriza tudo, a intuição torna acessível ou perceptível algo mais. Sendo possível inclusive unir as duas.
Capítulo IV
Aqui Bergson falará da duração e do tempo. Falando sobre a imutabilidade e o nada, bem como o devir e a forma. E é claro que tratando-se destes assuntos ele recorreria aos gregos. Por isso, sua crítica é direcionada para Platão e Aristóteles. Este último especialmente criticado sobre a inteligência.
Também criticará a metafísica moderna, focando em Descartes, Spinoza e Leibniz. Por fim focará bastante em sua crítica ao Kant. Concluindo-a ao criticar o evolucionismo de Spencer.

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