Resumo Imaginação dialética
de Martin Jay
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| Imaginação dialética |
Este livro é maravilhoso para quem quer ter uma noção aprofundada da Escola de Frankfurt e de seus membros. tanto no conceito histórico quanto intelectual de seus membros. É uma obra abrangente e complexa que é extremamente recomendada para aqueles que se interessam por filosofia alemã, Escola de Frankfurt, por alguns de seus membros, que são vários, entre outros motivos.
Prefácio de 1996
As décadas de
1960 e 1970 foram as mais difíceis para a Escola; 21 de Agosto de 1968 a URSS
invade Praga e acaba com uma nova forma de socialismo. De 1955 a 1975 houve a
guerra do Vietnam. No auge da guerra fria, seus membros se viam diante de
profundas críticas à toda situação, tanto ao capitalismo e seu desenvolvimento
prejudicial, quanto ao socialismo do século XX que se tornava cada vez mais
tirano.
Desde o seu
surgimento em 1923 a Escola de Frankfurt recebeu críticas duras tanto por parte
da direita quanto esquerda conservadora. Entre o período da segunda guerra
mundial (1933 – 1945) Marcuse, um dos principais membros da Escola de Frankfurt,
sofre bastante com as perseguições da Alemanha Nazista e com ameaças de morte.
E a questão
judaica na escola também bastante importante para a relação dos membros da
Escola, mas não para a sua pesquisa. Mesmo com o surgimento do nazismo e o
aumento do antissemitismo no mundo, seus membros deram quase nada das suas
pesquisas para este tema. Inclusive alguns membros tiveram inclusive que mentir
sua origem para escapar do Nazismo, outros foram presos em campos de
concentração alemães.
O objetivo do
livro não era o de detalhar o trabalho de cada membro da Escola, na verdade, o
autor já deixa bem claro a complexidade dos assuntos abordados pela Escola de
Frankfurt, além da gigantesca variedade, tornando impossível uma pesquisa sobre
suas teorias. Mas como há alguma similaridade sobre os temas, a proposta do
livro é contar do ponto de vista histórico como se deu o surgimento de tais
temas na relação e acontecimentos de vida dos seus integrantes.
Para se ter
uma noção, os assuntos abordados iam desde uma crítica ao marxismo tradicional,
economia, política, cultura, autoritarismo, dialética e a formação de uma
teoria crítica. Nas palavras do próprio autor, por ele ter tentado preencher as
lacunas do livro, esta tarefa se mostrou assustadoramente complexa, mas seu
objetivo, inclusive com a reedição do livro é o de despertar a atenção para a
Escola de Frankfurt, que se mostrou tão relevante durante o século XX e que,
talvez, tenha ainda muitas coisas a nos ensinar no século XXI.
Introdução
A Escola de
Frankfurt consistia em um grupo de intelectuais que na primeira metade do
século passado produzia um pensamento conhecido como Teoria Crítica. Dentre
eles temos Theodor Adorno, Max Horkheimer, Herbert Marcuse e Walter Benjamim.
Com a II Guerra Mundial, eles saíram de Frankfurt, na Alemanha, para se
refugiar nos Estados Unidos, voltando apenas na década de 50.
Na Europa do
início do século XX, os rumos e os resultados a que se chegaram com os feitos
políticos em nome do proletariado e de uma ideologia marxista começaram a ser
reavaliados por alguns intelectuais. A ideia de que a luta entre burgueses e
proletariado iria resolver as coisas era questionada ao se perceber o
crescimento de uma classe média. Segundo consta, esta geração (subsequente aos
primeiros marxistas) que conciliava a teoria (o trabalho intelectual) com o
comando do partido socialista tinha o mal-estar de não possuir uma definição
exata do marxismo.
O marxismo até
então era consenso no Partido da Social Democracia, o qual entendia teoria e
prática como palavras sinônimas. Por volta de 1900, ocorreu uma espécie de
clivagem, na qual as duas partes (teoria e prática) discutiam a realidade e os
rumos do marxismo.
O contexto
europeu da primeira metade do século será fundamental para se compreender as
bases do que veio a ser o “marxismo ocidental” como resposta aos impasses
teóricos e políticos. O fascismo e o stalinismo foram as duas grandes tragédias
que, de formas diferentes, se abateram sobre o movimento operário europeu no
período entreguerras e que, juntos, pulverizaram e destruíram os potenciais
criadores de uma teoria marxista nativa ligada à prática das massas do proletariado
ocidental.
Enquanto
teoria, o marxismo se tornava algo muito diferente de tudo o que o precedera,
acarretando como ponto alto dessa mudança o deslocamento dos temas e das
preocupações da intelectualidade marxista. As gerações que comporiam o marxismo
ocidental (as quais assim o fizeram sem ter consciência disso, sem ter um
”projeto” definido com este nome) não eram mais os engajados líderes políticos
de outrora, mas agora elaboravam uma produção intelectual que, em certa medida,
se devia ao engajamento político do passado. Afastavam-se daquele passado
clássico (do ponto de vista teórico) e, ao mesmo tempo, reavaliavam os
resultados do marxismo no presente.
Desse modo,
nasceu a Escola de Frankfurt, a qual se dedicou, a partir da década de 20, ao
estudo dos problemas tradicionais do movimento operário, unindo trabalho
empírico e análise teórica. Em virtude da perda de sua tradição intelectual, o
marxismo para os frankfurtianos será alvo de um movimento autorreflexivo. O que
será característico no marxismo ocidental é esta autorreflexão do que era, foi
e seria futuramente o marxismo, com obras que trataram de temas como o “novo”
papel do materialismo histórico, o conceito de história, a tomada da
consciência de classe, a cultura, a arte, literatura, enfim, todos considerados
como categorias e instrumentos para se pensar as transformações, a validade, as
limitações, possíveis caminhos e leituras do marxismo diante da sociedade
industrializada moderna.
Os autores
ligados à Escola de Frankfurt não se pretendiam realmente comentadores ou
intérpretes do pensamento de Marx, mas tinham como proposta buscar inspiração
no marxismo para uma análise da sociedade contemporânea.
Para os
frankfurtianos, a razão que desponta com a valorização da ciência cada vez mais
evidente, trata-se de uma razão instrumental. Assim, o que se tinha era uma
racionalidade de cunho positivista que visava a dominação e intervenção na
natureza a serviço do poder do capital, estendendo-se esta dominação também aos
homens, cada vez mais alienados dos processos sociais em que estavam
envolvidos. Logo a ciência não seria imparcial, mas controlaria o exterior e o
interior do homem.
Ainda para a
Escola de Frankfurt alguns dos aspectos centrais dessa dominação da técnica
seriam a indústria cultural e a massificação do conhecimento, da arte e da
cultura que se produzia naquele contexto diluindo-se assim a força expressiva
de cada um, seus significados próprios, transformando tudo em objeto de
consumo.
Assim, os
intelectuais da Escola de Frankfurt conduziram suas obras a uma esfera crítica
e reflexiva quanto ao marxismo, abordando categorias e conceitos que ora dizem
muito sobre as consequências e rumos da prática marxista do passado e daquele
momento em que escreviam, ora dizem respeito a uma espécie de proposta ou
releitura daquilo que poderia (ou não) e mereceria ser feito.
Logo, será da
preocupação em sugerir e descortinar uma realidade reificada e “contaminada”
pela lógica capitalista que nascerão tais trabalhos, num questionamento quanto
às maneiras de se alcançar a efetiva tomada da consciência de classe e, dessa
forma, superar a conjuntura capitalista dada.

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