Resumo Imaginação dialética de Martim Jay - Eduardo Klinger

Resumo Imaginação dialética de Martim Jay

Resumo Imaginação dialética 

de Martin Jay

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Imaginação dialética

Este livro é maravilhoso para quem quer ter uma noção aprofundada da Escola de Frankfurt e de seus membros. tanto no conceito histórico quanto intelectual de seus membros. É uma obra abrangente e complexa que é extremamente recomendada para aqueles que se interessam por filosofia alemã, Escola de Frankfurt, por alguns de seus membros, que são vários, entre outros motivos.



Prefácio de 1996

As décadas de 1960 e 1970 foram as mais difíceis para a Escola; 21 de Agosto de 1968 a URSS invade Praga e acaba com uma nova forma de socialismo. De 1955 a 1975 houve a guerra do Vietnam. No auge da guerra fria, seus membros se viam diante de profundas críticas à toda situação, tanto ao capitalismo e seu desenvolvimento prejudicial, quanto ao socialismo do século XX que se tornava cada vez mais tirano.

Desde o seu surgimento em 1923 a Escola de Frankfurt recebeu críticas duras tanto por parte da direita quanto esquerda conservadora. Entre o período da segunda guerra mundial (1933 – 1945) Marcuse, um dos principais membros da Escola de Frankfurt, sofre bastante com as perseguições da Alemanha Nazista e com ameaças de morte.

E a questão judaica na escola também bastante importante para a relação dos membros da Escola, mas não para a sua pesquisa. Mesmo com o surgimento do nazismo e o aumento do antissemitismo no mundo, seus membros deram quase nada das suas pesquisas para este tema. Inclusive alguns membros tiveram inclusive que mentir sua origem para escapar do Nazismo, outros foram presos em campos de concentração alemães.

O objetivo do livro não era o de detalhar o trabalho de cada membro da Escola, na verdade, o autor já deixa bem claro a complexidade dos assuntos abordados pela Escola de Frankfurt, além da gigantesca variedade, tornando impossível uma pesquisa sobre suas teorias. Mas como há alguma similaridade sobre os temas, a proposta do livro é contar do ponto de vista histórico como se deu o surgimento de tais temas na relação e acontecimentos de vida dos seus integrantes.

Para se ter uma noção, os assuntos abordados iam desde uma crítica ao marxismo tradicional, economia, política, cultura, autoritarismo, dialética e a formação de uma teoria crítica. Nas palavras do próprio autor, por ele ter tentado preencher as lacunas do livro, esta tarefa se mostrou assustadoramente complexa, mas seu objetivo, inclusive com a reedição do livro é o de despertar a atenção para a Escola de Frankfurt, que se mostrou tão relevante durante o século XX e que, talvez, tenha ainda muitas coisas a nos ensinar no século XXI.



Introdução

A Escola de Frankfurt consistia em um grupo de intelectuais que na primeira metade do século passado produzia um pensamento conhecido como Teoria Crítica. Dentre eles temos Theodor Adorno, Max Horkheimer, Herbert Marcuse e Walter Benjamim. Com a II Guerra Mundial, eles saíram de Frankfurt, na Alemanha, para se refugiar nos Estados Unidos, voltando apenas na década de 50.

Na Europa do início do século XX, os rumos e os resultados a que se chegaram com os feitos políticos em nome do proletariado e de uma ideologia marxista começaram a ser reavaliados por alguns intelectuais. A ideia de que a luta entre burgueses e proletariado iria resolver as coisas era questionada ao se perceber o crescimento de uma classe média. Segundo consta, esta geração (subsequente aos primeiros marxistas) que conciliava a teoria (o trabalho intelectual) com o comando do partido socialista tinha o mal-estar de não possuir uma definição exata do marxismo.

O marxismo até então era consenso no Partido da Social Democracia, o qual entendia teoria e prática como palavras sinônimas. Por volta de 1900, ocorreu uma espécie de clivagem, na qual as duas partes (teoria e prática) discutiam a realidade e os rumos do marxismo.

O contexto europeu da primeira metade do século será fundamental para se compreender as bases do que veio a ser o “marxismo ocidental” como resposta aos impasses teóricos e políticos. O fascismo e o stalinismo foram as duas grandes tragédias que, de formas diferentes, se abateram sobre o movimento operário europeu no período entreguerras e que, juntos, pulverizaram e destruíram os potenciais criadores de uma teoria marxista nativa ligada à prática das massas do proletariado ocidental.

Enquanto teoria, o marxismo se tornava algo muito diferente de tudo o que o precedera, acarretando como ponto alto dessa mudança o deslocamento dos temas e das preocupações da intelectualidade marxista. As gerações que comporiam o marxismo ocidental (as quais assim o fizeram sem ter consciência disso, sem ter um ”projeto” definido com este nome) não eram mais os engajados líderes políticos de outrora, mas agora elaboravam uma produção intelectual que, em certa medida, se devia ao engajamento político do passado. Afastavam-se daquele passado clássico (do ponto de vista teórico) e, ao mesmo tempo, reavaliavam os resultados do marxismo no presente.

Desse modo, nasceu a Escola de Frankfurt, a qual se dedicou, a partir da década de 20, ao estudo dos problemas tradicionais do movimento operário, unindo trabalho empírico e análise teórica. Em virtude da perda de sua tradição intelectual, o marxismo para os frankfurtianos será alvo de um movimento autorreflexivo. O que será característico no marxismo ocidental é esta autorreflexão do que era, foi e seria futuramente o marxismo, com obras que trataram de temas como o “novo” papel do materialismo histórico, o conceito de história, a tomada da consciência de classe, a cultura, a arte, literatura, enfim, todos considerados como categorias e instrumentos para se pensar as transformações, a validade, as limitações, possíveis caminhos e leituras do marxismo diante da sociedade industrializada moderna.

Os autores ligados à Escola de Frankfurt não se pretendiam realmente comentadores ou intérpretes do pensamento de Marx, mas tinham como proposta buscar inspiração no marxismo para uma análise da sociedade contemporânea.

Para os frankfurtianos, a razão que desponta com a valorização da ciência cada vez mais evidente, trata-se de uma razão instrumental. Assim, o que se tinha era uma racionalidade de cunho positivista que visava a dominação e intervenção na natureza a serviço do poder do capital, estendendo-se esta dominação também aos homens, cada vez mais alienados dos processos sociais em que estavam envolvidos. Logo a ciência não seria imparcial, mas controlaria o exterior e o interior do homem.

Ainda para a Escola de Frankfurt alguns dos aspectos centrais dessa dominação da técnica seriam a indústria cultural e a massificação do conhecimento, da arte e da cultura que se produzia naquele contexto diluindo-se assim a força expressiva de cada um, seus significados próprios, transformando tudo em objeto de consumo.

Assim, os intelectuais da Escola de Frankfurt conduziram suas obras a uma esfera crítica e reflexiva quanto ao marxismo, abordando categorias e conceitos que ora dizem muito sobre as consequências e rumos da prática marxista do passado e daquele momento em que escreviam, ora dizem respeito a uma espécie de proposta ou releitura daquilo que poderia (ou não) e mereceria ser feito.

Logo, será da preocupação em sugerir e descortinar uma realidade reificada e “contaminada” pela lógica capitalista que nascerão tais trabalhos, num questionamento quanto às maneiras de se alcançar a efetiva tomada da consciência de classe e, dessa forma, superar a conjuntura capitalista dada.

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